domingo, 22 de maio de 2011

AMOR E ETERNIDADE

                      AMOR E ETERNIDADE

             Repara, doce amiga,olha esta lousa,
              e junto aquela que lhe fica unida:
               aqui de terno amor, aqui reposa
            o despojo mortal, sem luz, sem vida.
                Esgotando talvez o fel da sorte,
           puderam ambos descansar tranquilos;
             amaram-se na vida,e inda na morte
              não pôde a fria tumba desuní-los.
           Oh! quão saudosa a viração murmura
                            no cipreste virente,
            que lhes protege as urnas funerárias!
               E o Sol, ao descair lá no Ocidente,
                       quão belo lhes fulgura
                        nas campas solitárias!

              Assim, anjo adorado, assim, um dia,
               de nossas vidas murcharão asflores...
                Assim ao menos sob a campa fria
                se reúnam também nossos amores!
            Mas que vejo? Estremeces, e teu rosto,
              teu belo rosto no meu seio inclinas,
              pálido como o lírio que ao sol-posto
                        desmaia nas campinas?
             Oh! vem! não perturbemos a ventura
                 do coração, que jubiloso anseia...
             Vem, gosemos da vida, enquanto dura;
                desterremos da morte a negra ideia!
               Longe, longe de nós essa lembrança!
                   Mas não receies o funesto corte...
                         Doce amiga, descansa:
                 Quem ama como nós, sorri à morte.
                            Vês estas sepulturas?
                            Aqui cinzas escuras,
                  sem vida, sem vigor, jazem agora:
              mas esse ardor, que as animou outrora,
                     voou nas asas de imortal aurora
                             a regiões mais puras

             Não! A chama que o peito ao peito envia
                   não morre extinta no funéreo gelo.
                    O coração é imenso: a campa fria
                     é pequena de mais para contê-lo.
                  Nada receies, pois; a tumba encerra
                  um breve espaço e uma breve idade!
               E o amor tem por pátria o Céu e a terra.
                           por vida a Eternidade!

      Autor: Soares de Passos, nasceu no Porto, em 1826,
          onde faleceu aos trinta e quatro anos de idade.

5 comentários:

  1. Edumares, uma poesia para se ler sempre. A Terra, meu céu-eternidade nos versos que ficarão nos assobios deum pássaro.
    Abraços ternos, Jorge Bichuetti

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  2. Edumanes

    Um repartir da Vida com o Amor e o final:
    "...O coração é imenso: a campa fria
    é pequena de mais para contê-lo.(...)

    Bela meditação/poema de Soares dos Passos que nos fica para a semana.

    Abraço
    SOL da Esteva

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  3. Olá amigo...vim conhecer o seu espaço...como já vui adoro poesias...musicas...amigos!

    Adorei o poeminha que fez especialmente para mim no seu comentário!te agradeço o carinho.

    Lindos poemas tem aqui...gostei de tudo e já estou te seguindo também!

    Tenha uma abençoada semana!
    Abraço!

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  4. Olá amigo...foi muito bom receber um poeminha no meio da tarde...hoje cedo quando estive aqui acabei pegando uma imagem sua...peço desculpas...mas gostei tanto...que acabei postando pois achei que é um caminho para o paraíso com certeza...

    Linda demais a imagem...me inpirou postar aquela canção...
    Abraço...até mais!

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