quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

O AVÔ E OS NETOS!

O avô e os netos
Com eles estava a ralhar
Meninos, estejam calados e quietos
O avô quer escrever verso a rimar
Eles pior faziam?
Só para o avô arreliar 
Avô, não fiques zangado, diziam
Não percebes que estamos a brincar
Depois repeliam!
Avô, tu não sabes rimar
Mas eles sabiam
Que o avô nunca os iria abandonar
Por isso eles faziam
Algumas travessuras 
Para, sempre, o avô ajudar
Nas suas aventuras
Porque continuava a pensar
Que sabia escrever
Poesia, para em verso  rimar

domingo, 16 de outubro de 2011

TENHO MEDO!

Vim ao mundo, não sabia
O que iria encontrar
De olhos fechados não via
Ao abri-los, sem perceber 
Como seria o meu caminhar
Pequeno, doente e franzino 
Do muito padecer
Mais tarde gatinhar 
Palavra não sabia dizer
Mas sabia, com dores, chorar
Assim fui crescendo
Até primeiros passos dar
No princípio sem equilíbrio 
Com o corpo no chão a malhar
No tempo da escravidão
No campo o meu ofício 
Para os ricos a trabalhar
Arrogantes, de cacete na mão
Para no meu corpo malhar
Eis  o motivo porque não
E a razão do meu medo
Poder esse tempo voltar

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

AMOR DE MÃE

Sou feliz, mas, vivo triste
Minha mãe, muito jovem, partiu
Por ,esse dia, desconhecer
De mim ,não se despediu
Por ela, muito, chorei
O melhor, da minha vida,  perdi
No mundo, melhor  amor, não há
Só, eu, sei dizer o que senti
Esquecida nunca será
Compreendo, porque, sim
Entendo, mas explicar sei
Porque, terá que ser, assim
Descansa, em paz, minha mãe
Por mim, não estejas triste
Te guardo no, meu, coração
Irei ter contigo
Juntos, ficaremos, na escuridão.

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

IMAGINAÇÃO

Se eu tivesse talento para um livro escrever
O título seria "Caldeirada de Palavras"

Assim, começava a reunir os ingredientes
Cravo murcho, eu. Estou a dizer
Não é proibido
Penso não ofender
Minha imaginação
Por que mudas de perfil
Não és camaleão
Botão de Rosa, linda flor de Abril

A procura de ingredientes continuo,
porque sou alentejano, lentamente,

Teus lábios serão doces?
Menina dos beijos achocolatados
Se tão bela não fosses
Seriam menos beijados?

Três ingredientes encontrados, são
Murcho, Perfil e Beijos
Dois são frescos não sei
Imaginação

domingo, 21 de agosto de 2011

EPÍGRAFE

Murmúrio de água na clépsidra gotejante,
lentas gotas de som no relógio da torre,
fio de areia na ampulheta vigilante,
leve sombra azulando a pedra do quadrante,
-assim se escoa a hora, assim se vive e morre...

Homem, que fazes tu? P´ra quê tanta lida,
tão doidas ambiçõe, tanto ódio e tanta ameaça?
Procuremos somente a Beleza, que a vida
é um punhado infantil de areia ressequida,
um som de água ou de bronze e uma sombra que passa...

EUGÉNIO DE CASTRO

sábado, 20 de agosto de 2011

NA ESCOLA!

A Professora diz aos alunos para desenharem o órgão sexual feminino.
Nisto uma aluna incapaz de fazer o desenho,
abriu as pernas e espreitou para debaixo da saia..
Gritou o Joãozinho.
STORA ELA TÁ A COPIAR!!!

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

SAUDADES

Saudades, quem as não tem
Apenas para recordar
Noutros tempos houve alguém
Que nos proibia de falar
Em conflito nos meteu
Com os povos do Ultramar
Contra o fascismo se lutou
Da fome não nos defendeu
Tudo pretendia controlar
A união fez a força
Para a liberdade conquistar
O povo não se calou
E, a ditadura, venceu
A luta vai continuar
Porque,  ainda, não esqueceu
 Saudades da miséria não tem

domingo, 14 de agosto de 2011

2011. 14 DE AGOSTO.

Neste dia dos pais
A todos minha homenagem enviar
Amor que não nos esquece mais
Este dia, e sempre a desejar
Áquela pessoa amiga
Que ao mundo nos guiou
Sempre nos defendeu da intriga
Cujo caminho nos ensinou
Da estrada, por ele, percorrida
Para nos criar trabalhou
Depois de uma noite não dormida
Com o pão para os filhos voltou.

sexta-feira, 12 de agosto de 2011

EGOISMO

Fico triste quando sinto
Nas pessoas o EGOISMO
Sou sincero não minto
Falador, caminhante, sorrindo
Estou contente por viver
Porque amo a natureza
O amor ninguém deve esquecer
Quando não se ama a beleza
Sem o futuro conhecer
Vale sempre a pena com certeza
Procurar o melhor fazer
Não os outros prejudicar
Se sabe amar e não é feliz
Procure a felicidade encontrar

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

CAMINHADA

Nunca caminhada sem fim
Minha vizinha caminhou
A 10 passos adiante de mim
Sempre minha vizinha andou
Foi numa caminhada assim
Que um dia a encontrei
Sem a conseguir ultrapassar
Minha vizinha não cumprimentei
Se a imagem, senhoras, ofendia
Por isso a desloquei

terça-feira, 26 de julho de 2011

A GOTA DE ÁGUA

                     A lágrima triste
                    Que por ti surgiu
                   Mal que tu a viste,
                   Quase se não viu...

                  Como quem desiste,
                      Logo se deliu...
                   E, mal lhe sorriste,
                      Logo te sorriu!

                    Já não era a dor,
                       O sinal aflito
                 Duma  funda mágoa;
                       Era o infinito,
                   - O infinito amor,
                  Numa gota de água.

                      AUGUSTO GIL

sábado, 23 de julho de 2011

LEGÍTIMA DEFASA.

Num julgamento o Juiz pergunta pro réu.- Como o senhor matou sua esposa? A chifradas, meritíssimo. Absolvido por legitima defasa.

                                  ATROPELADOS E CONDENADOS

Dois trabalhadores estavam caminhando pelo encostamento da via. Dutra, voltando de uma Indústria onde haviam trabalhado duro o dia, inteiro quando um Advogado, que vinha a toda velocidade no seu carro importado, atropela os dois.
Um deles atravessou o pára-brisas e caiu dentro do carro enquanto o outro voou longe, a uns dez metros do local do atropelamento. Três meses depois, eles saíram do Hospital e, para surpresa geral, foram direto para a cadeia. Um por invasão de domicílio e o outro por se evadir do local do acidente.

segunda-feira, 18 de julho de 2011

LUTADORA

                   Em Baleizão, no Alentejo,
                      Quando trigo ceifava
                     Num gesto de cobardia
                 Tinha uma arma apontada
                 Do cano uma bala que saia
                No corpo de Catarina acertou
                        Já sen vida, Catarina
               Seu corpo no chão permanecia
               Para sempre em silêncio ficou
                      Com um feto  no ventre
                    Catarina estaria grávida?
           Contra a exploração descontente
                   Pelos seus direitos lutava
            Morta por um fascista assassino
                       Sem dó nem piedade
                      Foi naquele triste dia
               Antes de alcançar sua vitória
                    Em defesa da liberdade
     Que  Catarina Eufémia ficou na História.

QUEM SABE...

            Se foi bom ter começado,
               Para pior antes assim
       Procurar, e não ter encontrado
               Pode não ter triste  fim

                        Quem sabe...

               Continuar sem parar,
          Procurando o que não tem
              Com inteligência lutar
     Ser herói, não mentir a nimguém.

                        Quem sabe...

            Se foi isto que aprendeu,
       Na universidade onde estudou
         A lição, ainda, não esqueceu
      Só o pior em sua memória fixou.

                        Quem sabe...

           Uma sociedade mais justa,
              Distribuindo a riqueza
           Praticar o bem nada custa
          Entre todos com franqueza.

                       Quem sabe...

terça-feira, 12 de julho de 2011

CONFESSO

                       AMÁLIA RODRIGUES
                Composição Frederico Valério

                Confesso que te amei, confesso
                 Não coro de o dizer, não coro
                  Pareço outra mulher, pareço
                Mas lá chorar por ti, não choro
                  Fugir ao amor tem seu preço
                   E a noite em claro atravesso
                     Longe do meu travesseiro
                 Começo a ver que não esqueço
                     Mas lá perdão não te peço
                    Sem que me peças primeiro

            Não penses mais em mim, não penses
            Não estou nem p'ra te ouvir por carta
                Convences as mulheres, convences
                Estou farta de o saber, estou farta
              Não escrevas mais nem me incenses
                     Quero que tu me diferences
                       Dessas que a vida te deu
                      A mim já não me pertences
                    Mas lá vencer-me não vences
                       Porque vencida estou eu

                            De rastos a teus pés
                              Perdida te adorei
                    Até que me encontrei, perdida
                               Agora já não és
                          Na vida o meu senhor
                    Mas foste o meu amor, na vida

sábado, 9 de julho de 2011

ALENTEJO DO SOL ARDENTE

                   Alentejo, o povo no campo a trabalhar
                                 Para  outros, enriquecer
                          Não tinha conduto para o jantar
                    No Verão, intenso calor o trigo a ceifar
                Muitas horas torto, sem se endireitar poder
                       Antes do Sol nascer, ao Sol posto
                    Descontente, sua tristeza disfarçava
                                  Não podia contestar
                          Contra os que nele mandava
                            Porque não tinha liberdade
                 Se o fazia, alguém os PIDE's informava
                                 Era preso e torturado
                               Numa cela encarcerado
                        Por dizer, tinha fome a trabalhar
                        No Alentejo foi assim no passado

sexta-feira, 8 de julho de 2011

FOI ASSIM NO ALENTEJO.

                            ESTE POEMA
                   Para dedicar com valor
                  Não vou mudar de tema
                     Ao pastor alentejano
               No campo ovelhas a pastar
    Não eram dele, eram de um outro fulano
                 Que o andava a explorar
   Se não obedecia, levava puxão de orelhas
             Pretendia da miséria se afastar
     Verdes ou pretas, não eram aldrabonas
                          Na carne a pensar
               Comia, com o pão,  azeitanas       

terça-feira, 5 de julho de 2011

QUEM NOS VÊM ACUDIR!

               Quem nos vêm acudir
             Depois de tanta tramóia
               Foram chamar o MFI
                     Para nos salvar
            Veio também a paranóica
                Ou aquela coisa que o
                   Nome não sei dizer
         Quando penso me dá arrepios
             Fico com os cabelos em pé
        Porque careca, ainda, não estou
                 Mas depois do Natal
    Não sei se com alguns cabelos ficarei
        A vida do pobre, é mesmo assim
                Mas aqui em Portugal
             Vamos mais pobres ficar
                    Depois do Natal.

terça-feira, 28 de junho de 2011

POETA MILITANTE II.

                Bati com o pé no deserto
                 e não naseu uma fonte....

                    Toquei numa rocha
            e não se cobriu de açucenas...

                      Beijei uma árvore
          e o enforcado não ressuscitou...

                  Amaldiçoei a paisagem
                 e não secaram as raízes...

 Digam-me lá: para que diabo serve ser poeta?
                (Os santos são mais felizes)

           Autor: JOSÉ GOMES FERREIRA.

sexta-feira, 24 de junho de 2011

A SEPARAÇÃO.

                  Quando minha mãe morreu
        Do meu pai e meus irmãos fui separado
                  Foi triste, porque, aconteceu
             Para casa de meus tios fui levado
                  Pela minha mais velha irmã
               Que num dia para lá me levou
                      Foi numa triste manhã
             Que muito sofrimento me causou
                  Foi-se embora lá me deixou
                         Também ela sofreu
                 Da nossa separação resultou
                      Para todos  sofrimento.

quinta-feira, 23 de junho de 2011

TRISTE FOI A MINHA INFÂNCIA.

                 No Alentejo, onde, nasci,
              Lá no Monte do Vale Burro
              Foi lá que minha mãe perdi
               Quando, ainda, era miúdo
              Fiquei triste quando percebi
                    A brincar, eu, andava
                   Quando em casa entrei
                 Minha mãe morta  estava
                     Na cama já sem vida
                  Para sempre me deixava
                 Parecia estar adormecida
                  Quando morta já estava

sexta-feira, 10 de junho de 2011

CANÇÕES

            VÃO AS SERENAS ÁGUAS

             Vão as serenas águas
             do Mondego descendo
e, mansamente, até o mar não param;
             por onde as minhas mágoas,
             pouco e pouco crescendo,
para nunca acabar se começaram.
             Ali se me mostraram,
             neste lugar ameno
             em que inda agora mouro,
             testa de neve e de ouro,
riso brando e suave, olhar sereno,
             um gesto delicado,
que sempre na alma me estará pintado.

             Nesta florida terra,
             leda fresca e serena,
ledo e contente para mim vivia;
             em paz com minha guerra,
             glorioso coa pena
que de tão belos olhos procedia.
             De um dia em outro dia
             o esperar me enganava;
             tempo longo passei,
             com a vida folguei,
só porque em bem tamanho me empregava.
             Mas que me presta já,
que tão formosos olhos não oa há?

              Oh! quem me ali dissera
              que de amor tão profundo
o fim pudesse ver ainda algûa hora!
              E quem cuidar pudera
              que houvesse aí no mundo
apartar-me eu de vós, minha senhora!
              Para que, desde agora,
              já perdida a esperança,
              visse o vão pensamento
              desfeito em um momento,
sem me poder ficar mais que a lembrança,
              que sempre estará firme,
até no derradeirodespedir-me.

              Mas a mor alegria
              que daqui levar posso
e com que defender-me,triste, espero,
              é que nunca sentia,
              no tempo que fui vosso,
quererdes-me vós quanto vos eu quero;
              porque o tormento fero
              de vosso apartamento
              não nos dará tal pena
              como  a que me condena:
que mais sentirei vosso sentimento
              que o que a minha alma sente.
Moura eu, Senhora, e ficai vós contente!

              Tu, Canção, estarás
               agora acompanhando
por estes campos estas claras águas,
               e por mim ficarás
               com choro suspirando,
por que, ao mundo dizendo tantas mágoas,
               como ûa larga história
minhas lágrimas fiquem por memória.

Autor: LUÍS VAZ DE CAMÕES.

quinta-feira, 26 de maio de 2011

A MAIOR DOR HUMANA

                                           SONETO A VIRGEM

                         Ó Virgem!  eu vi Job leproso em seu lameiro,
                         torcido que carvalho a que o tufão arraste,
                    exclamar na aflição - Maltito o homem primeiro!
                      Maltito o ventre, ó Mãe, em que tu me geraste!

                      Ó Virgem! eu vi Cristo amarrado ao madeiro,
                       como o branco marfim ou lírio roxo na haste,
                        suspirar num sol-pôr magoado e derradeiro:
               - Ó meu Deus! Ó meu Deus! porque Me abandonaste?

                    Ó Virgem, vi Raquel chorando os filhos mortos,
                      errante, esguedelhada, olhos doidos, absortos,
                           pelas serras, à lua, encher Judeia de ais,

                   Mas vi-te, ó Mãe, depois ao teu morto estreitada,
                 branca, sem cor, sem voz, feita em pedra pasmada,
                           e a soluçar uivei: - Tu é que sofres nais!

                                         GOMES LEAL.

domingo, 22 de maio de 2011

AMOR E ETERNIDADE

                      AMOR E ETERNIDADE

             Repara, doce amiga,olha esta lousa,
              e junto aquela que lhe fica unida:
               aqui de terno amor, aqui reposa
            o despojo mortal, sem luz, sem vida.
                Esgotando talvez o fel da sorte,
           puderam ambos descansar tranquilos;
             amaram-se na vida,e inda na morte
              não pôde a fria tumba desuní-los.
           Oh! quão saudosa a viração murmura
                            no cipreste virente,
            que lhes protege as urnas funerárias!
               E o Sol, ao descair lá no Ocidente,
                       quão belo lhes fulgura
                        nas campas solitárias!

              Assim, anjo adorado, assim, um dia,
               de nossas vidas murcharão asflores...
                Assim ao menos sob a campa fria
                se reúnam também nossos amores!
            Mas que vejo? Estremeces, e teu rosto,
              teu belo rosto no meu seio inclinas,
              pálido como o lírio que ao sol-posto
                        desmaia nas campinas?
             Oh! vem! não perturbemos a ventura
                 do coração, que jubiloso anseia...
             Vem, gosemos da vida, enquanto dura;
                desterremos da morte a negra ideia!
               Longe, longe de nós essa lembrança!
                   Mas não receies o funesto corte...
                         Doce amiga, descansa:
                 Quem ama como nós, sorri à morte.
                            Vês estas sepulturas?
                            Aqui cinzas escuras,
                  sem vida, sem vigor, jazem agora:
              mas esse ardor, que as animou outrora,
                     voou nas asas de imortal aurora
                             a regiões mais puras

             Não! A chama que o peito ao peito envia
                   não morre extinta no funéreo gelo.
                    O coração é imenso: a campa fria
                     é pequena de mais para contê-lo.
                  Nada receies, pois; a tumba encerra
                  um breve espaço e uma breve idade!
               E o amor tem por pátria o Céu e a terra.
                           por vida a Eternidade!

      Autor: Soares de Passos, nasceu no Porto, em 1826,
          onde faleceu aos trinta e quatro anos de idade.

quinta-feira, 7 de abril de 2011

A VIDA

                    Foi-se-me pouco a pouco amortecendo
                         a luz que nesta vida me guiava,
                         olhos fitos na qual até contava
                      ir os degraus do túmmulo descendo.

                     Em se ela anuveando, em a não vendo,
                          já se me a luz de tudo anuveava;
                       despontava ela apenas, despontava
                   logo em minha alma a luz que ia perdendo.

                     Alma gémea da minha, e ingénua e pura
                   como os anjos do céu (se o não sonharam...)
                     quis mostrar-me que o bem pouco dura!

                        Não sei se me voou, se ma levaram;
                      nem saiba eu nunca a minha desventura
                    contar aos qua inda em vida não choraram...

                                 A vida é o dia de hoje,
                                a vida é ai que mal soa,
                               a vida é sombra que foge ,
                                a vida é nuvem que voa;
                                a vida é sonho tão leve
                              que se desfaz como a neve
                                e como o fumo se esvai:
                              A vida dura um momento,
                            mais leve que o pensamento,
                                 a vida leva-a o vento,
                                 a vida é folha que cai!
                               A vida é flor na corrente,
                                  a vida é sopro suave,
                                a vida é estrela cadente,
                                voa mais leve que a ave:
                             Nuvem que o vento nos ares,
                             onda que o vento nos mares
                                 uma após outra lançou,
                                    a vida - pena caída
                                   da asa da ave ferida-
                                de vale em vale impelida,
                                  a vida o vento a levou