terça-feira, 31 de outubro de 2017

"DESÂNIMO"

 Se por algum desgosto,
 ou, quando o sacrifício
 não compensa o esforço
 para os fins despendido!

Atirar-se do precipício,
 lá para o fundo do poço 
sem p'ro qual haver motivo
desse, tão, desunido povo
algures no mundo indeciso!

Para viver em liberdade,
não impeçam de escolher
sem de outrem depender
sendo essa a sua vontade!

Preso nas garras do, real, poder,
porque, tem de viver encabrestado
poderá, se ao qual não obedecer
por crime de rebelião condenado!

Não te deixes adormecer,
ó! Povo até demasiado tarde
custe o que custar tens de vencer
se quiseres viver em liberdade!

Liberta-te das garras,
tens direito ao teu lugar
não pagues alvissaras
a quem te está a sugar!

Com a tua voz não roca,
não há tempo a perder
com inteligência apregoa
faz já o que tens a fazer!

Do teu lado tens a razão,
porque o fazes com lealdade
luta contra a desonestidade
para que não te tirem o pão!
(Edumanes)

sábado, 28 de outubro de 2017

"COISAS DO DESTINO"

Já estava d'abalada,
a caminho de Lisboa
depois de palmada
chegou à Madragoa!

Ouviu cantar o fado,
e uma guitarra a trinar
ela se estava a lembrar
do seu Alentejo amado!

Com saudades do campo,
das ovelhas e das cabras
do seu bem amado alentejano
 triste, limpando as lágrimas
olhou para trás chorando!

Para os seus braços já voltou,
foi recebida com abraços e beijos
para sempre a união se celebrou
por vontade dos seus desejos!
(Edumanes)

sexta-feira, 27 de outubro de 2017

AMBIÇÃO OU GANÂNCIA?

Achei graça aqueles balões,
mas não tiveram concorrência
falando com os meus botões
disse: tenhamos paciência!

Sem deixar de sorrir,
porque, a vida continua
outros balões hão-de subir
querendo chegar à Lua!

 Como aquele que ao Sol queria chegar,
 umas sobre as outras caixas empilhando 
todavia, quando se estava a aproximar
 apenas uma e só uma caixa estava faltando
 lá de cima disse, para sobre a última colocar
 tira a do fundo e,  tudo foi por água abaixo!
(Edumanes)

segunda-feira, 23 de outubro de 2017

"A IDADE NÃO ENGANA"

Por aqui continuarei,
a fazer o que pretendo
jamais a encontrarei
vagueando no tempo!

Saudades da juventude,
como eu tenho também
será que da minha idade
 não haverá mais alguém?
Por não ter a certeza;
 a mim mesmo perguntei
querendo saber a verdade
 foi então que sabendo fiquei
 a desonestidade me desilude
 mas, não me ilude a grandeza!
(Edumanes)

sábado, 21 de outubro de 2017

"APAIXONANTE"

Com os lábios a sorrir,
 e os olhos não chorantes
vejo as plantas a florir
para elas continuo a olhar
 na terra verdejantes
sobre elas borboletas a voar!

 Mais tristes seriam os dias,
viver sem flores e sua beleza
como vi na feira das velharias
um catre velho sem enxarga.

Não batam mais no ceguinho,
já levou porrada que chega
sem dúvidas, tenho a certeza
quem tudo paga é o Zé Povinho!
(Edumanes)

quinta-feira, 19 de outubro de 2017

"ORADOR A REBOQUE"

Enquanto o fogo se propagava,
de mãos atadas à inconsciência
se calhar não falava como fala
agora, em falta de competência,

Já lá estiverem senhoras e senhores,
são essas e esses agora que mais berram
só em prol do seu bem estar é que fizeram
a si próprios um sem número de favores!

Perigosas ideias são para quem acredita,
quem pensa que com arrogância se vence
interferência desumana e criminosa política
de que não houve, ninguém me convence!
(Edumanes)

terça-feira, 17 de outubro de 2017

"SOBREVIVENTE"

Como qualquer sábio, agora, diz,
também, há quem diga disparates
nenhum dos, muitos, que há no pais
 antes, conseguiu evitar catástrofes!

Mais desleixos não se consinta,
a quem não quis saber do aviso,
depois do fogo ter consumido
transformando a floresta em cinza.

Sem, antes, ter cumprido o seu dever,
toda a gente aponta o dedo à governação
ano após ano a floresta continuará a arder
se teimando não se apostar na prevenção!
(Edumanes)

domingo, 15 de outubro de 2017

"LITORAL ALENTEJANO"

 Dizem que há boa pinga,
 no vale das éguas
de certeza haverá mais ainda
 outras coisas muito belas?

Alimentados com bolotas,
tem vara de porcos pretos
espalhados pelas barrocas
 há por lá muitos sobreiros.

Conduzem ao engodo,
tem estradas e veredas
a caminho do Porto Covo
nas bordas urzes e estejas!
(Edumanes)

quarta-feira, 11 de outubro de 2017

"QUEM NA PODA SE EXCITA"

Não sei quanto tempo me demoro,
quem ao descontentamento reage
enquanto com a imaginação não volto
fiquem com esse soneto do Bocage!

XXXV [SONETO DA AMADA GABADA]

Si tu visses, Josino, a minha amada
Havias de louvar o meu bom gosto;
Pois seu nevado, rubicundo rosto
Às mais formosas não inveja nada:

Na sua bocca Venus faz morada:
Nos olhos tem Cupido as settas posto;
Nas mammas faz Lascivia o seu encosto,
Nella, emfim, tudo encanta, tudo agrada:

Si a Asia visse coisa tão bonita
Talvez lhe levantasse algum pagode
A gente, que na poda se exercita!

Belleza mais completa haver não pode:
Pois mesmo o conno seu, quando palpita,
Parece estar dizendo: "Pode, pode!"!

sábado, 7 de outubro de 2017

"DE MANHÃ COMEÇA O DIA"

Minha aldeia pequenina,
está diferente d'outrora
bem eu me lembro ainda
ao romper da bela aurora!

 No inverno, ao frio e à chuva,
teria sido melhor senão fosse
lavrando a terra com a charrua
no campo, de manhã até à noite
cantando íamos para a labuta!

A paisagem o campo coloria,
na primavera vermelhas papoilas
dos homens, mas ai ai, o que seria
 se, ai ai, não fossem as moçoilas!
(Edumanes)

terça-feira, 3 de outubro de 2017

"TERRA RESSEQUIDA"

Ai ai meus senhores,
esta terra tem sede
sem trigo não há pão
se nesta terra chovesse
desabrochavam as flores
e os cravos em botão!

Falta de água a terra sente,
fustigada pela seca prolongada
quando ausente, não presente
do amor mais se sente falta!

 Sofrem mais os corações,
de quem falta de amor sente
segundo rezam as provisões
Outono continuará quente?
(Edumanes)

segunda-feira, 2 de outubro de 2017

"UM PAR DE BOTAS"

Há quem tenha sorte na vida!
na rifa me saiu um par de botas
antes queria sofrer pelo Benfica
do que duma dor nas costas!

Dolorosa, má de gramar,
do meu território para fora
bem eu a tento expulsar
 teimosa, não quer ir embora!

Se ela por aqui continuar,
dizer, não sei até quando
por tanto me apoquentar
descontente estou ficando!

Consultei o tchimbanda,
com milongo a acalmou
não contente a magana
sem ser desejada voltou!
(Edumanes)