segunda-feira, 28 de outubro de 2019

"QUANDO TINHA PRESSA"

Apressada, sem ter paciência,
tão desesperada continua a pressa
sem prestar atenção à advertência
disparada saiu pela porta aberta!

Quando eu era pequeno,
desse desejo constante,
enquanto via passar o tempo
mais pressa tinha de ser grande,
 por isso, agora, não devo reclamar
com o que tenho me contento,
para trás já não posso voltar!

Por aqui gosto de andar,
sem que tudo esteja vendo
porquanto posso imaginar
sem poder parar o tempo!
(Edumanes)

sábado, 26 de outubro de 2019

QUEM ERA MARIA CACHUCHA?

Uma reportagem “sensacional” a Maria Cachucha em 1942 👩‍🌾🥃🍖
Maria Purificação da Silva (1900-1960) popularmente conhecida por Maria Cachucha, trabalhava no Matadouro Municipal e causava admiração a forma como ela desempenhava tal profissão. Nessa época a única em Portugal que matava bois, com uma destreza impressionante.
«Quando nos falaram de Maria Cachucha de Torres Vedras, não acreditávamos.
Seria possível que uma mulher fosse magarefe num matadouro em Portugal?
Seria verdade que tivesse bigode como um homem, fizesse uma vida de rapaz nos cafés, e que tudo isto se passasse em Torres Vedras, na província?
Era caso para nos intrigar. Aguçava-nos ainda a curiosidade, o facto de em Portugal o jornalismo ser pouco fértil em incidentes deste género. Era necessário ir ver, necessário saber, se não havia nestas informações algo de exagero. Resolvemos partir para Torres Vedras, e ver de perto o “fenómeno”. A nossa visita ia com certeza espantar Maria Cachucha, pouco habituada a que jornalistas venham propositadamente de Lisboa para a ver.
Quando chegámos a Torres Vedras logo nos indicaram onde poderíamos encontrar a Maria Cachucha. Toda a gente a conhece. Ou estava no matadouro, ou talvez em casa a dormir. Era meio-dia Alguém mesmo rematou “Deve estar a dormir; ontem andou na pândega!…”
Seguimos para o matadouro. Maria Cachucha não estava ainda. Dormia com certeza – disseram-nos. Fomos até casa dela. Batemos. Lá dentro ouvimos vozes.- Maria Cachucha está?…
Uma voz estranha responde:
–Estou…. E depois: Vou já!
Ouviram-se ainda vozes. A porta abriu-se e Maria Cachucha apareceu-nos.
Forte como um touro, bigode, cigarro nos lábios, lenço amarrado à cabeça e vestida de mulher, Maria Cachucha está habituada a esses espantos e sorri-nos com o seu sorriso franco de bom camarada, ajudando-nos a falar.
-…Maria Cachcucha… Somos jornalistas. Gostaríamos de conversar um pouco consigo…
Uma voz máscula, baixa, brutal mesmo, responde-nos:
–Pois sim…
E a conversa começa:
-Nós viemos para a ver “matar”….
–Então não tiveram sorte. Hoje não “mato”. Se tivessem vindo na sexta-feira… Era dia de matança… Hoje não.
– Você não quer vir até ao matadouro mostrar-nos como trabalha?
–Tá bem!… Posso ir…
E com o à-vontade, as maneiras dum rapaz, encaminha-se para o nosso carro, entra e instala-se.
Seguimos para o matadouro, e lá, durante algum tempo, vimo-la no seu elemento, esfolando, agarrando as ferramentas com as suas mãos fortes, serrando as rezes, beata bumegante ao canto dos lábios…
Quando lhe pedimos para nos fazer uma demonstração da “matança” acede de boa vontade e é ela mesma que vai buscar a vaca, a amarra e a “mata”… a fingir, só para a foto.
Feita a demonstração, Maria Cachucha segue connosco para o centro de Torres… para o café… (Antiga taberna do Venceslau)
Sentados, é ela que chama o criado. -É já!…
E voltando-se para nós, pergunta:
-O que é que vocês tomam…
-…Dois cinzanos… (bebida)
Voltando-se para o criado, em “habitué” exclama:
–Dois cinzanos, um café e um bagaço para mim!…
Sentimo-nos mais à vontade.
–Maria Cachucha, há quanto tempo você faz vida… livre… de rapaz?
– Desde os 12 anos… Sempre fui assim… Gosto do convívio dos homens… Tenho bons amigos, e temos feito boas pândegas!… As mulheres são todas umas lambisgoias!…
– O que fazia você antes de “matar”?…
–Andei muito tempo a “tocar” gado de noite e de dia entre Vila Franca e Malveira… Sempre lidei com bichos…
Maria Cachucha tira uma caixa da algibeira e novamente chama o criado:
–Traz-me um maço de superior.
-Você é casada, Cachucha?…
– Não, sou viúva há mais de 10 anos…
– Não tem filhos?
–Tenho, tenho um matulão de 24 anos lá para Lisboa. Ainda lá estive na segunda- feira passada. Gosto muito de Lisboa, fazem-se lá boas pândegas! Tenho lá muitos amigos, mas aquilo custa caro. Outro dia o Franco gravador, cervejas e carapáus fritos, durou até às 6 da manhã! Mas, fartámo-nos de gozar.
Enquanto nos diz tudo isto, as suas mãos fortes, com anéis de homem, vão enrolando um cigarro com a agilidade de quem faz isso todos os dias. Mas estamos na hora de almoço e despedimo-nos de Maria Cachucha lá está, mas desta vez não está sozinha, amigos e camaradas rodeiam-na. Aos risos, às gargalhadas, pressentimentos que Maria Cachucha acaba de contar uma das suas histórias.
Abancámos também e a nossa conversa recomeça. Mais dois cinzanos (bebida) para nós, mais um café e um bagaço para a Cachucha, e, conversamos.
– Você tem sempre trabalho aqui em Torres Vedras, no Matadouro?…
– Não! Trabalhei também em Leiria e também uma vez na Nazaré. Mas na Nazaré foi só para lhes mostrar que fazia aquilo tão bem como eles… Não me julgavam capaz. Foi um gozo!…
E Maria Cachucha ri.
-É o seu único modo de vida?
–Não, faço também uns negociozitos… mas nada de volfrâmio!…
-Enfim, nada de trabalhos de mulheres?
–Arranjo a minha casa, faço a minha comida mas, costura não… tenho as mãos finas demais para isso…
-a sua maneira de viver nunca lhe acarretou dissabores?…
–Sim… Uma vez em Viseu. Julgaram que eu era um homem vestido de mulher. Tomaram-me por um passador de moeda falsa que tinha vindo a Viseu… Foi um caso sério… Mas fartei-me de rir depois… Os polícias ficaram parvos!…
-Você não tem família, em Torres?
-Tenho. Com a minha irmã é que eu estou zangada, não nos falamos. Ela não compreende a minha vida… É mulher e basta!…
Maria Cachucha ri, os amigos riem, e nós fazemos o mesmo…
Por fim despedimo-nos. Temos que partir para Lisboa. O seu aperto de mão vigoroso faz-nos pensar que é melhor estar bem com ela que mal e partimos. Qualquer coisa nos choca, sem sabermos o quê. Estivemos com uma mulher mas com uma mulher estranha. Temos vontade de fugir… de ver uma mulher qualquer, sem bigode, sem aquele palavreado masculino, sem aquela voz, uma mulher que não seja magarefe, que não “mate”, que não esfole, que não viva como um homem, enfim, uma mulher… feminina…
Já no automóvel, a caminho de Lisboa pensámos: Ainda bem que nem todas as mulheres são Marias Cachuchas… era o fim do mundo!…»

quinta-feira, 24 de outubro de 2019

"DESILUSÃO É A VISITA DA PURA VERDADE"

Como o tempo correr,
gostava, sem me cansar
com esperança até morrer
não é proibido sonhar!

Não paga impostos presumo,
acontece enquanto se dorme
seja ou não num sono profundo
tanto sonha o rico como o pobre
sem descriminar o vagabundo!

Sem destino no mundo anda,
não às escondidas, a desilusão
tanto encanta como desencanta
o sonho é apenas uma ilusão!
(Edumanes)

terça-feira, 22 de outubro de 2019

"EM BEJA"

ANEDOTA

No balcão de um banco, em Beja:
- Bom dia,  ê queria levantar 50 êros.
- Aqui no balcão só a partir de 200 euros...
Tem de ir ao multibanco.
- Mas ê nã sê trabalhar com isso.
- Então tem de vir outro dia e o meu colega ensina-lhe.
- Está bem, atão queria levantar 200 êros.
- Aqui estão, deseja fazer mais alguma operação?
- Sim. Queria depositar 150 êros...

domingo, 20 de outubro de 2019

"RESPOSTA"

 SEIA
CAMINHA
A cidade e vila que os alentejanos mais adoram Seia (ceia) e Caminha!

sexta-feira, 18 de outubro de 2019

"BEJA E VILA VERDE"

Entre as muitas cidades e vilas de Portugal,  há uma cidade e uma vila que os alentejanos mais adoram. Eu já estive à porta, de entrada, dessa cidade. A vila é raiana, não conheço. Se você sabe o nome dessa cidade e dessa vila. Diga lá qual é a cidade e qual é a vila!

sexta-feira, 11 de outubro de 2019

"O CONFORTO PAGA-SE CARO"

Os responsáveis pela poluição do planeta,
obcecados pela ganância estão-se marimbando
em vez de ouvirem com atenção as palavras de Greta
só nos, muitos, milhões continuam pensando!

Para uns terem de tudo,
na vida, outros não têm nada
gerado da flor em cada pernada
das árvores se colhe o fruto!

Esse fruto que nos alimenta,
 podendo ser servido a qualquer hora
mais tempo por aqui se demora
tudo aquilo que mais nos apoquenta!

No tempo que corre a alta velocidade,
todos reclamam, uns por falta de amor
outros por não encontrarem a felicidade
enquanto não chega a Primavera em flor!
(Edumanes)

quinta-feira, 10 de outubro de 2019

"PISCO DE PEITO AMARELO"

Quem tem fôlego,
toca flauta
sem cobre e sem ouro
mas, c'grande lata!

Não foi Geraldo Geraldes, o Sem Pavor,
que mandou utilizar os canhões de água
contra quem pacificamente,
no Terreiro do Paço, se manifestava,
foi aquele que diz ser democrata
mas tem perfil de ditador!

Quis acabar com a pesca,
e pôr fim à agricultura
foi uma grande seca
em Portugal ainda dura!

Não foi o mar, não foi o rio,
não foi o pisco de peito amarelo
 foi o papa figos algarvio!
(Edumanes)

quarta-feira, 9 de outubro de 2019

"NO REINADO DO ARANHIÇO"

Gafanhotos a saltar,
Formigas trabalhando
Cigarras a cantar
não os deixam descansar
Caracóis protestando!

 Sapos no charco,
Rãs na lagoa
sem pressa o Cágado
adorando a vida boa!

Borboletas voando,
sobre uma flor silvestre
passa o vento soprando
pelo campo agreste!
(Edumanes)

terça-feira, 8 de outubro de 2019

"TOCA VIOLA"

Quem quer bolotas trepa,
ou passa a vida na ramboia
goza a vida enquanto é bela
quem tem unhas toca viola!

Quem quer bolotas trepa,
sendo essa a melhor opção
não fica quem tem pressa
à espera que caíam no chão!
(Edumanes)

segunda-feira, 7 de outubro de 2019

"COMO EVITAR O ACIDENTE"

As autoridades responsáveis, pelo Trânsito Rodoviário, aconselham os senhores automobilistas a optar por uma condução defensiva e não ofensiva. 
Já quanto ao Poder Político, alguns lideres dos partidos políticos optam por utilizar uma linguagem mais agressaiva. Convencidos de que só dessa forma conseguirão alcançar os seus objectivos. Como fez a lider do CDS, nesta última campanha eleitoral.
Valendo-se do assalto aos paiois de Tancos e dos incêndios de 2017. Pensaria ela que à custa do sofrimento dos outros conseguiria alcançar um bom resultado. Como ela afirmava de que só o voto no CDS, seria o voto seguro. 
Todavia, não conseguiu convencer o eleitorado. O CDS, é um partido político ao serviço de uma elite privilegiada, contra os interesses da classe trabalhadora. Porquanto o seu bem estar na vida, depende da exploração dessa, mesma, classe trabalhadora!

sábado, 5 de outubro de 2019

"SUA VAIDOSA"

As vacas produzem
menos leite quando
escutam música Calma!
Verdade ou Mentira?

Sempre que bate à porta
Não deixa ninguém contente
E quanto mais ela cresce
Menos se precisa de pente 
Adivinha?

quinta-feira, 3 de outubro de 2019

"A CURVA E O CILINDRO"

Nos anos 50 e 60 do séculos passado os ourives andam de bicicleta a pedal pelas aldeias e montes. No  Alentejo montes são (casas distantes umas das outras). As bicicletas dispunham de um suporte colocado na parte de trás do selim, onde transportavam a mala com os artigos em ouro.
     - Um dia ao nascer do Sol, um ourives saiu de Beja com destino a Baleizão, que fica acerca de 12 de quilómetros da cidade de Beja. À entrada de Baleizão havia uma taberna do lado esquerdo. O dito ourives parou junto da mesma, encostou a bicicleta à parede junto à porta da taberna, cumprimentou alguns alentejanos que se encontravam, no exterior,  junto à taberna.
      - De seguida entrou na taberna, junto do balcão cumprimentou o taberneiro, pedindo que lhe fosse servido um pedaço de pão com um naco de toucinho, para beber um copo de vinho tinto. Seria  esse o seu almoço. Porque ao meio-dia era o jantar e à noite era a ceia. Depois de ingerida a pequena refeição, pagou e dirigiu-se para junto da bicicleta.
      - E, qual não foi o seu espanto!  Nem queria acreditar, ao ver que a bicicleta não tinha a roda da frente. Perguntou a uns compadres que permaneciam junto à dita taberna, se tinham visto quem roubou a roda da bicicleta? Olharam uns para os outros, todos ao mesmo tempo, responderam. Olha, olha, atã nã querem lá ver este agora.  Atã vocemecei quando chegou  além a curva já a não trazia.  Tá além aquele cilindro há tanto tempo  e ainda ninguém o levou!

terça-feira, 1 de outubro de 2019

"OUTONO"

        Oito dias depois do fim de mais um Verão,
o mês de Setembro vi partir
por causa disso, não me sinto triste não
se onde nada falta há de tudo
 vejo as folhas, das árvores, caírem no chão
já chegou, bem vindo seja, o mês de Outubro!

Porque amo a vida,
com ela gosto de viver
por ela ser tão querida
não a quero perder!

Sabendo ser essa a realidade,
de que um dia sem vida partirei
mas, levarei comigo a saudade
 da qual jamais me separarei!
(Edumanes)