quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

"VIAGEM AO BAIXO ALENTEJO"

Fui a Messejana!
No Baixo Alentejo
Pela ponte Vasco sa Gama
Passei o Rio Tejo.

Fui à feira de Castro
Passei por Ourique
Vi o Anastácio
Abraçado à Judite.

De Almodôvar
Caminhei para Mertola
Para a cidade de Andovar
Se mandou a Roberta.

De Garvão
Fui para a Funcheira
 Estava um calorão
  Foi no tempo da ceifa.

De Santa Luzia
Para o Vale de Santiago
À sombra dum chaparro
Descansava a Maria.

Das Fornalhas Velhas
Segui para Alvalade Sado
Vi um rebanho de ovelhas
A pastarem lá no prado.

De Grândola
 Para Alcácer do Sal
Vi na monda
As moças no arrozal.

Na Marateca
Parei para almoçar
De vinho bebi uma caneca
Continuem a caminhar.

De Águas de Moura
Segui para Setúbal
Nas mãos duma garota
Vi um lenço azul.

Do Laranjeiro
Fui para Cacilhas
Estava o pasteleiro
A enfeitar rosquilhas.

Para o Terreiro do Paço
Viajei num cacilheiro
Transportava num saco
Papo-secos o padeiro.

Subi a Avenida da Liberdade
Cheguei ao Marquês de Pombal
Para mais austeridade
Está a Tróika em Portugal
Irra! tanta vontade
Têm de nos fazer mal!
(Eduardo Maria Nunes)

domingo, 1 de dezembro de 2013

(DIZ O AVARO)

Levando um velho avarento
Uma pedrada num olho,
Pôs-se-lhe no mesmo instante
Tamanho como um repolho.

Certo doutor, não das dúzias
Mas sim médico perfeito,
Dez moedas lhe pediu
Para o livrar do defeito.

«Dez moedas!  (diz o avaro)
Meu sangue não desperdiço:
Dez moedas por um olho!
O outro dou eu por isso!

Se o Bocage ainda vivesse
O que diria ele de tanta roubalheira
Gritaria para que alguém o ouvisse
Sem dizer nenhuma asneira!

No lago com a tartaruga
Respondeu, não hesitou
Quando a Rainha lhe perguntou!
O que o ele estava a fazer, nada puta!

sábado, 23 de novembro de 2013

"O AGUILHÃO DO ESTADO"

Será o guião ou será aguilhão!
Do Estado, para ferrar nas bestas
Mais o sofrimento aumentarão
Com tantas crueldades feitas.

Assim qualquer um sacana
Elabora um guião tão estúpido
Sofre da agressividade desumana
Qualquer animal mesmo robusto.

Tudo tem, menos razão de ser
Nunca poderá ser posto em prática
Não sabe, portanto, desconhecer
Nunca, ele, defendeu a pátria.

Vendedor de ilusões
Aos beijinhos pelos mercados
Com medos dos empurrões
Não vai lá, só manda recados!

quinta-feira, 14 de novembro de 2013

NOBRE POVO, NAÇÃO VALENTE!

Intentona sapiência!
Inteligência conspurcada
Assistência dramatizada
Nobre povo, paciência.

Gabarolas vendedores
Mui nobre nação traída
Assaltada por traidores
Sem cura continua ferida.

Nobre povo, nação valente!
Isso já era há muito tempo
Já o não é com esta gente
Que a governa sem talento!

terça-feira, 5 de novembro de 2013

"SE A MISÉRIA ENCHE-SE A BARRIGA"

Se a miséria enche-se a barriga!
A pobreza não passava fome
Havia mais qualidade de vida
Para quem trabalha, gente pobre.

Haveria mais comida para gente pobre
Se houvesse mais rica gente, do que gente rica
Em vez de ouro, se houvesse menos cobre
Para aqueles que nada produzem na vida.

Se houvesse, no mundo, justiça
 No mundo não houvesse exploração
Se a riqueza fosse bem distribuída
Não desligavam luz a gente sem dinheiro
Para comprarem o pão
Como fizeram no Bairro do Lagarteiro
Em vez de cegueta, deveria ser maneta
O governo da nação!

sábado, 2 de novembro de 2013

"NÃO SE FOGE AO DESTINO"

O ninho da rola, com rolinhos não existia!
Foi uma história de esperança inventada 
Por alguém, para eu ficar onde não queria
Com atenção as suas promessas escutava.

Naquele triste dia do mês de Agosto,
Ansiosamente, ouvia falsas palavras
Inocente, descalço, gaiato franzino
Tristeza disfarçada de alegria no rosto
Porque assim quisera que fosse o destino
Os meus olhos se encheram de lágrimas.

 Perdi quando era criança!
O melhor amor da minha vida
  Guardada tenho a lembrança
 Triste, inesperada, despedida

Ser o que não pretende
Parecer o que não quer ser
Escondida, do rosto ausente
 O que ainda existe já não ter

O melhor que temos na vida
Quando parte, deixa saudade
Contra a vontade ressentida
Para sempre na infinidade.

Da vida o mais sincero amor
 De mãe afeto pura amizade
Outro não há que evite a dor
 Nem trás de volta a felicidade!
(Eduardo Maria Nunes)

segunda-feira, 28 de outubro de 2013

"ATROANDO"

Da nascente correr!
Para a fonte água pura
Fresca, pelo vale da loucura
Quero dessa água beber.

 No vale do paraíso fica
 Situada, entre dois montes
A fonte de água cristalina
Duas estrelas brilhantes
Lindos olhos de menina.

 Colina, corpo plagiando
Seios acentuada elevação
Céu azul estrelado vejo
Buliçoso resiste à tentação
Voz inconfundível atroando
Esmero chibante desejo!
(Eduardo Maria Nunes)

quarta-feira, 23 de outubro de 2013

"BOLOTEIROS"

Disse que não havia, mas há plano b!
Palavras soltas da boca duma aldrabona
Tantas mentiras para quê
Sua grandessíssima trapalhona.

Já falam em 2015, aumentar
Começam cedo a readquirir
Nas bolotas, maduras, a pensar
Rebanho de suínos a grunhir.

Tantos suínos à solta
Atrás deles os cães a latir
Há pouco azeite para a açorda
O olival mandam destruir.

Agora andam de lameiro,
em lameiro, nada irão deixar
Pensavam que o estrangeiro
 Tinha muita ração para os engordar. 

Culpados foram os intereseeiros
Todos os que agiram com má intenção
Porque são mal treinados rafeiros
Não obedecem como pastor alemão!

sábado, 19 de outubro de 2013

"NÃO, NÃO E NÃO"

NÃO! PARA O ABISMO NÃO!
Não te quero ver não
Não te desejo desconsolo
Não te desejo ver não
Não quero ver no teu rosto
Não quero ver nele tristeza
Não te quero ver chorar não
Não te quero ver com certeza
Não te desejo mal algum
Não te deixes embaír na incerteza
Não te deixes raptar, contra a tua vontade
Não queiras amar, quem não te ama
Não queiras beijar, sem felicidade
Não queiras ir para a cama
Não faças nada contra a tua vontade
Não partilha o teu amor
Não o dês de bandeja
Não faças clamor
Não diga asneira
Não faças mal uma flor
Não faças trapalhada
Não dês a um qualquer o teu calor
Não caminhes pelos cardos descalça
Não leva para a praia coisas de valor
Não faças indesejado alarido
Não faças vaia
Não tira, em qualquer lugar o vestido
Não usa comprida a saia
Não tira a fita do cabelo
Não vás sozinha para a várzea
Não tenhas dor de cotovelo
Não faças beicinho de amuada
Não me recuses o teu carinho
Não te levantes da cama nua
Não põe pezinho na poça
Não saias de qualquer maneira para a rua
Não comas sem azeite a açorda.
Não ponhas lenha a mais na lareira
Não vás sozinha saltar a corda
Não vás sem mim para a brincadeira!

terça-feira, 15 de outubro de 2013

"QUADRAS VADIAS"

Um poema escrito!
De quadras vadias
 Lutar e gritar é preciso
Contra fome todos os dias.

Mas, não deveriam haver
Gandulos grandes riquezas
Tanta gente sem nada ter
Causas de tantas tristezas.

Por quem não quer saber
Enchem as suas algibeiras
Vazias deixando as outras
De mau gosto brincadeiras.

 Já são muitas e não poucas
Para o abismo empurrarem
Sem parar a todas as pressas
Mentirosos para ganharem.

fazem muitas promessas
Para nunca as cumprirem
Ocupam o lugar com maldade
Passam dias e noites a sorrirem
Roubam aos outros a felicidade.

Constantemente a transgredir
Querem para eles a liberdade
Fazem ao contrário de construir
Por isso não tem personalidade
Por que não deixam o país evoluir.

Quando tudo estiver destruído
Estão lá até quando não se sabe
Há muito já deveriam ter caído
Abrem a boca só dizem disparate.

Sem remédio para a cura
Virá então novo salvador
Desliga a luz, fica a noite escura
Qual será o próximo estupor!

sábado, 14 de setembro de 2013

"VIAGEM IMAGINÁRIA"

Viagem imaginária!
Os homens, a viajar
Não têm asas
Mas, sonham poder voar.
Só há trigo, não há broa
Vida segura procurar
A caminho de Lisboa
Um alentejano ia a cantar
Adeus Alentejo amigo
 Qualquer dia irei voltar
Para ceifar o trigo
Se na terra as sementes
Ainda alguém as semear
 Tecnologias diferentes
Para a terra trabalhar
Aventuras, não à toa
Travessia do Rio Tejo
De Cacilhas para Lisboa
Com saudades do Alentejo
Pensam ser os mais espertos
Só viu cimento e alcatrão
Nas ruas muitos eléctricos
Soltou um grande grito
Ah! magano dum cabrão
Dizendo, lá estão elas
Referia-se ao seu jerico
Eram as casas amarelas
Onde o tinha prendido!

domingo, 11 de agosto de 2013

"JÁ NÃO CONSIGO VERGAR A MOLA"

Quem sou eu, não sei!...
 De onde venho, nem para onde vou
 O paraíso, não o encontrei
Porque o inferno não deixou...

Quem és tu, de onde vens e para onde vais
Sou aquele que já nada tem na sacola
Venho de São Bento, fugido à polícia, é de mais
Sou velho, Já não consigo vergar a mola
Depois de tantos cortes nas pensões
Vou a caminho de Belém pedir esmola...

O dito por não dito
Para camuflar a verdade
Povo pacífico 
Político vive à vontade.

Faz o que bem entender
Não gosta de ser incomodado
Não se importa com quem sofrer
Político só pensa no ordenado.

Na poltrona bem acomodado
Com mais nada se preocupa
Quando de algo é acusado
Sempre diz de nada ter culpa!
(Eduardo Maria Nunes)

segunda-feira, 29 de julho de 2013

"ABRE OS OLHOS CIDADÃO"

Precisa-se na política gente verdadeira
Que não brinque com coisas sérias
Mesmo que seja aventureira
Mas, não cause mais misérias
Com as leis que pregam rasteiras
Nas algibeiras provocam rombos
Nada conseguem conter
Aos outros causam tombos
Confiança nos políticos não se pode fazer
Nunca fazem o que prometem
Falam com arrogância para quem os elege
Do que antes disseram depressa se esquecem
Exploram o povo até mais não, paciência e cara alegre
Abre os olhos, nunca votes cidadão
Naqueles que só te vão explorar
Da tua boca e da boca dos teus filhos tiram o pão
Se não obedeceres levas porrada, à prisão vais parar!

quarta-feira, 24 de julho de 2013

"INCERTEZA"

Porta de alta segurança
Depois da casa assaltada
Futuro sem esperança
Solução não encontrada.

Muitas coisas de valor
Estão a ser destruídas
Trabalha a terra o agricultor
Estão a forjar novas medidas.

No campo as ovelhas
Comem as ervas floridas
Os bácoros mamam nas tetas
E os toiros nas corridas.

Continua a incerteza
Nuvens negras no ar
Aumenta a pobreza
Não deixam o sol brilhar.

segunda-feira, 22 de julho de 2013

"COMEÇOU A FESTA BRAVA"

Vem aí o mês das touradas
Alguém as antecipou
Mais cedo foram marcadas
O cavaleiro anunciou.

Compre já o seu bilhete
Para assistir, nas bancadas
À festa do ramalhete
 Cuidado com as cornadas.

De barrete verde na cabeça enfiado
Os cabrestos, para a arena conduzem o toiro
Pega o toiro, o mais valente forcado
  O bronze transformado em oiro
Por um herói, em Portugal radicado!

Do toucinho sai o coiro
Para comer com uma côdea de pão duro
Antes de lançado, o foguete deu o estoiro
Feriu, gravemente, o futuro!

sexta-feira, 19 de julho de 2013

"LAMÚRIA"

Não é culpado o Seguro
Da crise política
Deu um tiro no escuro
Em milagres acredita?

Como irá reagir
O senhor presidente
Não deverá fingir
Nem ficar indiferente.

Não são rosas amarelas
Dispersou o rebanho
Agora é que vão ser elas
Não é ouro, será estanho?

Extraído, porventura
São diversas as razões
Depois de tanta lamúria
Quais serão as intenções?

quarta-feira, 17 de julho de 2013

"ERVILHACA"

Surpreende e atrai,
É perfeita a natureza,
Das nuvens na terra cai
Água pura com certeza.

O povo aperto o cinto,
Não acerta na lotaria
A vida é uma correria
A xingar ou sorrindo,

Com promessas iludido,
Porque, estava a ser
Do que pensava ver,
Assim dizia convencido.

Pastam vacas na  serra,
A comer a ervilhaca,
A seara colhida da terra,
Ximbute, contemplava!

Junto de sua fazenda,
Que em volta da dobadoira
Mede uma légua em redor,
Estava ao fim da merenda,
Mais a gente da lavoira,
Soberbo e mau lavrador.

domingo, 7 de julho de 2013

"SORTE OU AZAR"

Vamos esperar pela decisão
Até à próxima terça-feira
Pelo resultado da rebelião
Coisa boa não se espera
Do mais alto magistrado da nação
Digam e pensem o que quiserem
Vão ver se tenho ou não razão
Do Além não esperem
Vento fresco neste verão.
Pelo bem que pensa fazer
Está a aumentar a confusão
Até parece desconhecer
Que sem farinha não há pão.
Não terá sido  contra a agricultura
O rei de Portugal e dos Algarves
 A percorrer o país, anda uma criatura
A ensinar como se plantam as árvores!

sexta-feira, 5 de julho de 2013

"A FÓRMULA DA SALVAÇÃO!

O que é feito dela
Para a próxima corrida
A camisola amarela
Continua escondida
Antes do pior acontecer
Qual é o seu desejo
O que pensa fazer
No escuro, escuro vejo
Deixem as pessoas viver
Incomoda o percevejo
Dizem que foi encontrada
A fórmula da salvação
Não se sabe onde está guardada
Para  a desagregação
Da coligação falhada
Para salvar a nação
Descoberta macabra
Por duvidoso cientista
 Seu conteúdo não manifesta
Saída da Tróika imprevista
Com brincadeiras de mau gosto
E sem dinheiro menos se acredita
 Em boas  férias no mês de Agosto!...

quarta-feira, 26 de junho de 2013

"PALAVRÕES"

De olhos postos
São apenas palavrões
Falam em baixar impostos
Aproximam-se eleições
   Com promessas a sorrir  
De falsas preocupações
Falam para o povo a mentir
Para lhe sacarem os tostões
Prometem com trocadilhos
Da política são tradições
Faladores empecilhos
No país das ilusões!