terça-feira, 28 de julho de 2015

"BELDROEGAS"

Porque é que sinto?
o que sinto dizer não sei
por que não tinha cinto
cair as calças deixei!

Com os pés  encharcados,
perdi as meias!
Não! As meias meias,
as meias solas dos sapatos.

Fica da outra banda, 
atravesso o Rio Tejo 
pela Ponte Vasco da Gama
tô indo p'ro Alentejo,
dessa maneira
o que é dos outros não invejo
sendo assim...
acabou-se a brincadeira?
Vou plantar beldroegas
para mim,
por causa das regras
terminou antes do fim!
(Edumanes)

segunda-feira, 27 de julho de 2015

"REGATO"

Tantos sonhos já sonhei,
nenhum deles foi realidade
também não sei onde a deixei
só sei dizer que sinto saudade.

Nas margens do regato colidiu,
o barcos que navegava a montante
seus raios dardejava o sol distante
 a jusante, na água clara reflectiu,

tão rápida como o pensamento,
desmaiava quando sentia prazer
sentindo-o no corpo sem se ver
suavemente, soprava o vento.
  
Lá para aquelas bandas,
onde o sol mais aquece
belas no mundo há tantas
coisas, que nos apetece.

No vento de levante,
não traz fresca maresia
porque nada garante
uma falsa garantia!
(Edumanes)

sábado, 25 de julho de 2015

"NA AREIA"

No campo vi girassóis!
fui à pesca das lulas
comi ensopado de caracóis
 na praia, vi as moças nuas.

As ondas vi, no mar, calmas,
vi gaivotas a voar
um caranguejo de alpercatas
vi na areia a esgravatar.

Vi uma lapa de calções,
sem bóia nas ondas a boiar
  junto à água, na areia a rebolar
caídos das rochas vi mexilhões!

Acontece cada uma,
é de se lhe tirar o chapéu
uma estrela viajando de pluma
 desceu à terra vinda do céu!
(Edumanes)

sexta-feira, 24 de julho de 2015

"O REMÉDIO É ESPERAR"

Esperando um beijo!
não havia meio de chegar
ansioso, estava o desejo
para a quem o dar.

Se calhar teria,
ficado sem saber
atolado no prazer
ao romper do dia?

Senão há volta a dar,
não adianta esmorecer
o remédio é esperar
até o desejo acontecer.

Companheira da lembrança,
dentro do peito tem a saudade
por que não perdeu a esperança
guarda no coração a felicidade!
(Edumanes)

quarta-feira, 22 de julho de 2015

"NO RIO MIRA"

A vida é para ser vivida!
sempre da melhor maneira
de quem, ainda, acredita
mantém acesa a lareira.
Pois, não admira
fui na mira das ostras
pescar no Rio Mira,
rio acima, rio abaixo
vi três garotas,
 num barco a navegar
sem bandeira no mostro
a elas eu ajuda pedi.
Me mandaram mergulhar
emergi sem ceroulas
olharam para mim a mangar
porque há dias assim.
Por segundos a voz perdi
de tanta fortuna falar ouvir
fiquei gago...três para mim!
Pelas pernas abaixo eu vi
se mijaram de tanto rir.
(Edumanes)

terça-feira, 21 de julho de 2015

"NA MÃO"

Nas ondas a sonhar!
estou agora recordando
naquela noite de luar
acordei navegando.

No mar imenso sem fim,
para onde o destino me levou
 uma rosa perfumada no jardim
com ela na mão me deixou.

A desabrochar na roseira,
a vida é bela sem queixume
com suave aragem passageira
 me exalou o seu perfume!
(Edumanes)

domingo, 19 de julho de 2015

"SAUDADE"

Coração,  ausência sente!
de quem para não mais voltar
partiu para sempre.

 Tão longe de mãos atadas,
 sem a poder acariciar
com os olhos de tanto chorar
arrasados em lágrimas!

Algures, junto ao açude,
ouvi a saudade chorando
vi sobre o mar a baixa altitude
 um bando de aves voando!
(Edumanes)

sexta-feira, 17 de julho de 2015

"NUMA NOITE DE LUAR"

Tão apressado, tropecei!
escorreguei no desejo
com ele me acorcovei.

Bem no fundo do prazer,
nos lábios sinto um beijo
de faminto, o ouvi gemer.

Mergulhei com esperança,
nas loucas ondas do mar
emergi em segurança
junto de uma sereia a boiar.

Não estou não ficando louco,
também não estou a inventar
louca percorrendo todo o corpo,
sensação, querendo nele acoitar.

Adormecido na ternura do amor,
quem me dera o sonho fosse realidade
nas pétalas perfumadas duma flor
imaginando a felicidade!
(Edumanes)

quinta-feira, 16 de julho de 2015

"ESTÃO P'RAÍ FALANDO"

Há menos galhofa!
sem metal tilintando
agora é só mini volta
estão p'raí falando.

Não será sortilégio,
atrás da bicicleta à nora
não passa como outrora,
no Cercal do Alentejo.

Tanta desgraça não quisera,
mais, neste mundo acontecer
a volta a Portugal em bicicleta
no futuro assim poderá ser?
(Edumanes)

quarta-feira, 15 de julho de 2015

"DENTRO D'UM CORNO"

Para se deitar à noitinha!
no vil catre uma enxerga de palha
quando para comer nada tinha 
toda a noite o estômago ralhava.

Nos pés calçava as chancas,
assim o sustendo do povo
meia dúzia de azeitonas
levava dentro d'um corno.

P'ro trabalho ia cedinho,
cantando alegremente,
com esperanças no futuro
pão e uma nesga de toucinho
naquela terra de rica gente
 gente rica tinha de tudo!
(Edumanes)