sábado, 22 de março de 2014

"BANDARRA, PROFETA SAPATEIRO"

NÃO PORTUGUÊS, MAS PORTUGAL - DISSE FERNANDO PESSOA.

QUANDO TUDO ACONTECEU...

Em torno de 1500 nasce em Trancoso. - 1530 a 1540:  Compõe suas trovas. - 1541: Julgado pelo Tribunal do Santo Ofício, condenado com uma pena leve. Retorna a Trancoso onde vem a falecer em 1556. - 1603: As trovas do Bandarra são impressas pela primeira vez, em Paris, por obra de D. João de Castro (Paráfrase e Concordância de Algumas Profecias de Bandarra, Sapateiro de Trancoso). - 1644: As trovas são publicadas por segunda vez, em Nantes. - 1809: As trovas são reeditadas em Barcelona, por ocasião das Invasões Francesas.
Sonhava, anónimo e disperso,
O Império por Deus mesmo visto,
Confuso como o Universo
E plebeu como Jesus Cristo.
Não foi nem santo nem herói,
Mas Deus sagrou com Seu sinal
Este, cujo coração foi
Não português, mas Portugal.

Fernando Pessoa, sobre o Bandarra

Desta figura, Fernando Pessoa chegou a afiançar: "O verdadeiro patrono do nosso País é esse sapateiro Bandarra. Abandonemos Fátima por Trancoso (...). O Futuro de Portugal − que não calculo mas sei − está escrito já, para quem saiba lê-lo, nas trovas do Bandarra (...). O Bandarra, símbolo eterno do que o povo pensa de Portugal".

De tão evidente, o seguinte verso do Bandarra poderá ter sido um dos seus derradeiros auspícios, cumprido e perpetuado que se encontra:

Em dois sítios me achareis, 
Por desgraça ou por ventura: 
Os ossos na sepultura,
A alma nestes papéis.

Melhor do que eu, que nem a taluda sei profetizar, Bandarra sabia o que predizia. Grande profeta ou não, em uma das suas coplas parece confirmar a continuidade do pretérito português:

Sou sapateiro, mas nobre 
Com bem pouco cabedal: 
E tu, triste Portugal,
Quanto mais rico, mais pobre.

De profeta, nada tenho. Quanto a saber do destino da muito querida Pátria, basta-me o aforismo: mais vale um bom desengano, que toda a vida andar enganado. ■
Eduardo disse;
Ambição, não é loucura!
Para viver melhor pudera
Gastar muito porventura
Portugal, assim quisera!

Pobre, pensando ser rico!
Já naquele tempo acontecia
Bandarra, viveu na Monarquia
profeta, sapateiro de ofício!

sexta-feira, 21 de março de 2014

"DIA MUNDIAL DA ÁRVORE E DA POESIA"

Distraído eu andaria!
Não é nada de grave
Também é da poesia
 O dia Mundial da árvore
Aonde estava não a vi!
Partiu noutra aventura
Não encontra ternura
A sonhar anda por aí!
Herdada do passado
Já fez mal a muita gente
Não há um só culpado
Está falido o presente!
A caminho da  chalorda
Sem talento desvairado
Em Portugal um calhorda
Sem ter asas quer voar!
Nem tudo é encantador
Nem tudo é sossegado
Nem tudo é felicidade
Nem tudo é lapidado
Nem tudo é tristeza
Nem tudo é amizade
Nem tudo é riqueza
Nem tudo é lealdade
Nem tudo é pobreza
Nem tudo é humildade
Nem tudo é com certeza
Nem tudo é caridade
Nem tudo é justiça social
Nem tudo é realidade
Nem tudo é consensual
 Nem tudo é personalidade
Nem tudo na vida é amor
Nem tudo é respeitado
Nem tudo no jardim é flor
Nem tudo é comercializado
Nem tudo no mundo é beleza
Nem tudo pode ser condenado
Não condenem a mãe natureza!
(Eduardo Maria Nunes)

quinta-feira, 20 de março de 2014

" SEARA DE TRIGO E PAPOILAS"

Bem vinda a primavera!
Situado a sul do Rio Tejo
Do ano a estação mais bela
Está mais lindo o Alentejo!

Floridas no campo as papoilas!
A olhar para elas fiquei parado
A mandar o trigo vi as moçoilas
No Alentejo à beira do Rio Sado!

Acasalam os passarinhos!
Feno, levam no bico a voar
Para construir os seus ninhos
Num vai e vem sem parar!
(Eduardo Maria Nunes)

quarta-feira, 19 de março de 2014

"VERDES ARROZAIS"

     Não há petróleo, pode haver milagres!...
Barco, sem rumo, a navegar no alto da onda
 O que há mais em Portugal são disparates
No Alentejo,  passei por Nave Redonda
A caminho do Algarve, para Monchique
 Dei a volta, de regresso ao Alentejo
Para a Mimosa, passei por Ourique
 Em Alvalade do Sado vi o verde brejo
O qual no Alentejo, ainda, existe.
Petróleo, poluidor das belas maravilhas
Foram desbravados enormes matagais
 Pelo canal, da Barragem de Campilhas
  Corre água para regar os verdes arrozais!
(Eduardo Maria Nunes)

terça-feira, 18 de março de 2014

"SONHOS...ILUSÃO"

Os sonhos são ilusão!
Não ando não a sonhar
Do Alentejo vou falar!
Sem dizer palavrão!

Nas pedras a tropeçar,
Para calçar, não tinha botas
Andei com as calças rotas,
No Alentejo a penar!

Chegou a tão desejada liberdade!
Pôs fim a 48 anos de regime hostil
Trouxe ao povo alegria e felicidade
A revolução dos cravos, em Abril,

Na primavera, florido!
Esperada há muitos anos
Assim do Alentejo a seu pedido
Falei, digníssima Laura Santos!
(Eduardo Maria Nunes)

segunda-feira, 17 de março de 2014

"CONTRA AS INJUSTIÇAS LUTANDO!

Com orgulho e teimosia!
Estão o povo empobrecendo
Senão visse não acreditaria
O que está acontecendo!

Protestando contra a fome,
Contra as injustiças lutando
Revolta-te contra a má sorte
Para não viveres penando!

Arrogantes sem consciência,
 Em sentido contrário remendo
Não se resolve com truculência
Para suportar as dores gritando
O único remédio, é a paciência!

Alcançar o que tanto se deseja,
Só com inteligência se conseguirá
Não cai do céu dentro da bandeja
Com esperança esse dia chegará!
(Eduardo Maria Nunes)

sexta-feira, 14 de março de 2014

"SEM FIM À VISTA"

Se inteligência não há!...
Porque haverá tanta cobiça
 O consenso por onde andará 
O que será feito da justiça!

Do futuro que o espera...
Silencioso, triste, o passarinho
Sopra o vento de mansinho
A caminho vem primavera.

Tudo piora, sem fim à vista,
Na esperança algo se perdeu
A guitarra nas mãos do guitarrista
Chora mas o fado não morreu!

Com esperança toda a gente sonha,
Por todo o lado anda sem morada certa
Deveria alegre ser, mas não é risonha
Viver neste país, a vida é incerta!
(Eduardo Maria Nunes)

quarta-feira, 12 de março de 2014

"OS CANÁRIOS PASSARINHOS"


Portugal,  está muito doente!
Diagnosticado cancro maligno
 Contra a medicina inteligente,
Sem cura, continua mendigo.

Três anos de consultas amiúde.
Vê-lo nesse estado de deleite
Até parece que esbanja saúde
Não liga, nem a este nem aquele
 Desvairado de loucura mediocre.

Quando feitas ao contrário,
Das muitas cometidas asneiras
Sem controle peças imperfeitas
 Saem das fábricas de vestuário.

Os canários...passarinhos...
Cantando bem à sua maneira
Nos verdes ramos da oliveira
Vão pousar os estorninhos!
(Eduardo Maria Nunes)

terça-feira, 11 de março de 2014

"LEGITIMIDADE"

Para do poder o afastar!
Só o povo tem legitimidade
Já chega de tanto pensar
Está na hora da verdade!

Precisamos de gente honesta,
Para este pais bem governar
Não sei o que é que o povo espera
 Para contra essa peste se revoltar.

Foi sim eleito para governar, Portugal,
Isso todos nós já sabemos
Mas ser o dono, como se julga afinal
Mais desgraças, não consentiremos!

Para o bem não se esperam novidades.
Julga-se de todos ser o mais esperto
Assinado por setenta personalidades
 Depressa falou contra o manifesto!
(Eduardo Maria Nunes)

sábado, 8 de março de 2014

" 8 DE MARÇO, DIA DA MULHER"

Hoje, dia oito de Março,
O dia da mulher se comemora
Envio para todas um abraço
Como era a imagem mostra!

Porque a saudade chora...
Por ainda e já muito ter sofrido
Como nos tempos doutrora
Ao calor do sol ceifando o trigo.

Trabalhando de corpo curvado,
Com o rosto quase tocando a seara
Muito esforço, trabalho mal pago
Cujo latifundiário explorava!
(Eduardo Maria Nunes)

quarta-feira, 5 de março de 2014

"GOTA DE ÁGUA"

A lágrima triste
Que por ti surgiu
Mal que tu a viste,
Quase se não viu...

Como quem desiste,
Logo se deliu...
E, mal lhe sorriste,
Logo te sorriu!

Já não era a dor,
O sinal aflito
Duma funda mágoa;
Era o infinito,
-O infinito amor,
Numa gota de água...
(Augusto Gil)

Eduardo disse;
Assim está esta Nação...
Função pública condenada
Nos trouxe a destruição
A Tróika indesejada!

No, Outono, fim do Verão!...
Seca cai no chão a folha da árvore
Pensa ter, mas não tem razão
Quem governar não sabe...

quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

"VINAGRE AZEDO E SAL SALGADO"

Na aldeia onde fui criado,
não na aldeia onde nasci
no Monte do Pego do Alto
numa tarde, cair neve vi.

Também vivia a Ti Palmira,
no Monte do Pego do Alto
o Ti Lucas, na Ribeira de cima,
tinha na taberna e mercearia
vinagre azedo, e sal salgado.

A Ti Palmira, quando lá ia,
para comprar vinagre ou sal
ao Ti Lucas, dizia bom dia,
tenho sal mas é do salgado
e também vinagre do azedo
era assim que ele respondia,
a Ti Palmira, desses não quero!

segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014

"PACHORRA"

A caminhar para a desgraça!
Continua Portugal condenado
Por que não tem nenhuma graça
Por isso nada tem de engraçado.

Vendem ilusões a qualquer preço,
Cantam vitória sem a terem alcançado
"Aqueles filho dum cabresto
Duma égua e dum cavalo cansado"

Com pão duro, coentros e azeite se faz a açorda,
Com pão quente, açúcar e azeite se faz a tiborna
Sem emprego, sem dinheiro, por causa da mão marota
 Que entra nos bolsos dos contribuintes a toda hora.

Sem tiborna e sem açorda.
Fica o povo se continuar dormindo
Para com quem nos está destruindo
É preciso, mesmo, ter muita pachorra!
(Eduardo Maria Nunes)

sábado, 15 de fevereiro de 2014

"A SOMBRA DE UM CHAPARRO"

Na imaginação o poeta.
Foi à Ilha da Lindalva
Lá encontrou a Sereia
De biquíni, na areia deitada
 Bronzeada, sempre bela!

As saudades são tantas!
Da sombra do chaparro
O rimador das ondas
Ainda está recordado
De ter bebido água fresca
Da fonte por um cocharro
 Caiu-lhe uma lande, em cima da tola
Fez-lhe um grande galo na mioleira
O maroto canta a qualquer hora
Faz tamanha a barulheira
O magano não tem cuidado
Agita as galinhas na capoeira!

Resolveu ir dar uma passeata,
A caminhar por uma vereda
Encontrou uma linda gaiata
De olhos castanhos, morena!

Sorriu para ela, ela não correspondeu
Desapareceu de repente
Não sabe onde a magana se escondeu.

O rimador das ondas, desmaiadas na areia...
Sobre o azul do céu, ímpeto calor do sol de verão
Escreveu com carinho esta rima dedicada à Sereia
Com um sorriso nos lábios, papel e caneta na mão!
(Eduardo Maria Nunes)

sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014

"EM DIA DE TEMPESTADE"

Um louco em São Bento!
Na assembleia, agita o debate
Entra a mentira no parlamento
Fecham portas à verdade.

Abusiva política em liberdade,
Na pocilga prendem os porcos
Para comer não têm carne
Os cães roem os ossos.

O mundo não está seguro,
Nem com uns, nem com outros
Portugal e o/ou sem futuro
Governado por loucos!

quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

"NA ILHA NÃO HÁ PESSEGUEIRO. HÁ PERCEVES"

Um fartote de palavras.
Bem ou mal rimadas entre si
Em viagens já realizadas
Foi assim que as descrevi.

No Alentejo a viajar,
Pelas praias da costa vicentina
Na charneca, o céu sem neblina
Vi os peneireiros a voar

 Imaginei uma onda gigante.
 Na praia grande do Porto Covo
Numa rocha não muito distante
Pousava um, preto, corvo.

Real, não imaginação.
Corre a água no Rio Mira
Nasce na Serra do Caldeirão
Pelo vale entre montes
 Passa sem parar por Odemira
Desagua em Vila Nova de Mil Fontes.

Entre Vila Nova de Mil fontes e Odemira,
Muito ocupados na pesca das ostras
Num barco a navegar no Rio Mira
Ocupantes, dois moços e três moças.

Porto Covo, Ilha do Pessegueiro,
Há um forte junto à praia, não na ilha
Na ilha, como canta Rui Veloso
Não há nenhum pessegueiro
Plantado por um vizinho de Odemira
Que dizem por amor morreu novo.
(Eduardo Maria Nunes)

domingo, 2 de fevereiro de 2014

"PELA RACHA"

Não irei votar à sorte.
Porque penso bem votar
Sem mascara, sem capote
Vou votar pelo seguro
 Não no que estão a pensar.

Nas ondas a navegar!
Cai no fundo do mar morto
Pela racha da urna vai entrar
O meu boletim de voto.

 É contra a democracia.
Em branco não vai não
Com felicidade e alegria
Se constrói uma nação!

 Não a pretendo perder,
O faço de boa vontade
Em quem não vou dizer
 Por respeito à liberdade
Em segredo permanecer!
(Eduardo Maria Nunes)

quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

"ESTE PAÍS É UM SUCESSO"

O roedor de beldroegas!
Do povo merece desprezo
Mete o rabo entre a pernas
Da Tróika, ele tem medo?

Este país é um sucesso,
Governado por valentões
Vão pregar para o deserto
Grandessíssimos aldrabões.

Em tudo têm sucesso!
Dos corruptos apoiantes 
Da riqueza no inverso
Penduras bem falantes!

O que não existe na realidade,
Para o estrangeiro vão apregoar
Ministros sem personalidade
Tudo fazem para mais sacar!

Nas eleições de cara risonha,
Tudo prometem nada dão
Se eles tivessem vergonha
Não estavam onde estão!

quarta-feira, 8 de janeiro de 2014

"FALA-NOS DE CARROS"

Não são palavras esquisitas!
Cidadão português do norte
Para escrever estas coisitas 
Tintinaine me deu o mote!

Para não falar de futebol
Falas-nos de carros
Sem pressa vai o caracol
Descalço pelos cardos!

Os carros gastam pneus,
E consumem petróleo
No tempo dos Fariseus
Seria outro o negócio!

Como eles viveriam,
Por cá também se viveu
E como se alimentariam
Isso dizer não sei eu!

Um mundo novo sem carros,
Para não haver tanta cobiça
Se não houvessem chaparros
Não haviam rolhas de cortiça!

Sem políticos há menos asneiras,
Sem alentejanos não há anedotas
Se não houvessem azinheiras,
Também não haviam bolotas!
(Eduardo Maria Nunes)

sábado, 7 de dezembro de 2013

POR CAMINHOS DO ALTO ALENTEJO"

Por caminhos sem fim!...
Desde a Ponte Marechal Carmona!
sobre o Rio Tejo, em Vila Franca de Xira
pela Estrada Nacional 10, direcção Porto Alto,
Algumas das localidades por onde passei
em viagens de trabalho, no Alto Alentejo
Passando por Terrugem e Vila Boim.

Porto Alto e S. Gabriel
Taitadas e vendas Novas
Montemor-o-Novo
Évora e São Mansos
 Monte do Trigo e Portel
 Alqueva e Montoito
Alter do Chão e Montargil
Ponde de Sôr e Galveias
Castelo de Vide
 Alpalhão e Gáfete
Crato e  Cabeço de Vide
Portalegre e Alegrete
 Arronches e Barragem do caia
Campo Maior e Degolados
Monforte e Santa Eulália
Sousel, Cano e Casa  Branca
Veiros, Mora e Pavia
Arraiolos e Vimieiro
 Avis, Fronteira e Nisa.
Évoramonte e Redondo
Estremoz,  Borba e Vila Viçosa
Alandroal e Jeromenha
Elvas e Vila Fernando!
(Eduardo Maria Nunes)